Assim, pouco a pouco, como o sopro do vento que lentamente leva cada folha. Não com a tristeza da despedida, de quem nunca mais volta, mas com a certeza de um regresso breve, em que momentaneamente a primavera vive e as folhas voltam a verdejar. Passa rápido, como o sopro do vento. Às vezes suave como se a brisa nos beijasse, outras vezes de rajada, como se o mundo estivesse prestes a terminar, mas rápido. É surpreendente como tudo consegue passar de tão intenso para tão sereno a cada instante, como se um botão existisse e tudo fosse tão simples. E corremos como loucos á procura de um equilibrio imaginário, que a cada dia se torna mais eclético. E levemente me solto, desapego de regresso ás raízes onde me prendo e amarro com toda a força em que acredito ser, onde a brisa acaricia e a tempestade apenas me beija. Rosa do vale do rio
Dialogar internamente, mergulhar no crespúsculo da mente. Conversa aborrecida, ou deleite da introspecção. A escrita permite num puzzle de palavras libertar o que vai fundo, o que vai dentro, nem sempre espelho, mas reflexo de um diálogo adiado. O monólogo tornado diálogo. E como se de um enigna se tratasse escrevo não livre, mas livremente o que me vai dentro, guardo o melhor exemplar para mim, como se de um agumento premiado se tratasse, só porque as palavras valem muito e ás vezes também doem. E mergulho de novo, afundo numa conversação individual, afino a razão, rego as raízes que me hirtam e danço as minhas folhas voláteis ao sabor do vento. Rosa do vale do rio
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