Tento entender a razão das coisas, penso demais, sinto demais e volto em modo intensidade máxima para este mundo de superficialidades. Sinto-me anomalia deslocada. Sinto a fricção das maiorias que nada têm a ver com união, mas apenas ruído que corta o livre pensar. Rosa do vale do rio
Hoje decidi finalmente enfrentar-te. Foram longas as pausas, profundas e demoradas o suficiente para compreender que chegou a altura de desafiar o maior dos meus medos que é estar aqui de frente a ti, assim tão branca e crua. Soltar pelos meus dedos tudo o que este grito contém. Fazer as pazes com as minhas decisões, com as minhas escolhas e todos os caminhos que me trouxeram aqui, até este lugar onde mergulho em mim e me encontro. O lugar onde percebi que o amor que quero receber começa dentro de mim e para comigo, esse mesmo lugar onde percebi que todas as coisas negativas que recebia nasciam em primeiro lugar dentro de mim. E fazer as pazes com essa pessoa, perdoar, ser gentil com esse eu que não merece menos carinho que todos os outros que me rodeiam. Deixar de ser a vítima e deixar de ter pena de mim própria, enxugar as lágrimas, perdoar e ter a certeza que adiante estaria mais forte, mais construída. Prometi a mim própria não fazer fretes, não aceitar...
Assim, pouco a pouco, como o sopro do vento que lentamente leva cada folha. Não com a tristeza da despedida, de quem nunca mais volta, mas com a certeza de um regresso breve, em que momentaneamente a primavera vive e as folhas voltam a verdejar. Passa rápido, como o sopro do vento. Às vezes suave como se a brisa nos beijasse, outras vezes de rajada, como se o mundo estivesse prestes a terminar, mas rápido. É surpreendente como tudo consegue passar de tão intenso para tão sereno a cada instante, como se um botão existisse e tudo fosse tão simples. E corremos como loucos á procura de um equilibrio imaginário, que a cada dia se torna mais eclético. E levemente me solto, desapego de regresso ás raízes onde me prendo e amarro com toda a força em que acredito ser, onde a brisa acaricia e a tempestade apenas me beija. Rosa do vale do rio
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