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Mergulho em mim, tento agarrar-me à profundidade. Não quero sair cá fora. Tenho frio cá fora. Mergulho em mim, Abraço-me por dentro e saio cá fora. Chovo em mim por uma eternidade. Rosa do vale do rio
Se ao menos ao olhar-te pudesse sentir que nada sinto. Queria tanto ser indiferente. Rosa do vale do rio
Vi o mar no teu olhar e afundei-me. Rosa do vale do rio

Esvazio

Aí, onde me encontro e me afundo em mim, nesse fundo mais fundo, nessa raiz onde o vento é melodia e renova as cores. Onde as folhas se soltam e pintam o verde de pôr de sol. Onde distante de tudo e tão verde, me visto de ti e de fogo, de chama e de lume. E como que ardendo em mim mil sois, e caíndo em mim mil luas, fico assim, na raíz que me prende, ao sempre de mim. Rosa do vale do rio

Só!

Preciso de encontrar o vazio que há em mim, sabes? Mergulhar dentro, bem fundo no mais vazio que há em mim, esvaziando-me. Estar só, comigo só, e assim, egoísta de mim, estar a sós na solidão merecida de mim própria. Rosa do vale do rio

Em suspenso...

Recebi a notícia de que tinhas partido para sempre dos meus dias. O peso da incompetência dos dias que desperdicei de ti, caíu sobre mim. O tempo passou intolerante ao dias que fomos adiando. E foi assim num dia qualquer, que sem aviso e cedo demais tudo ficou em suspenso. Ainda tinhamos tanto tempo! Tempo. Esse impaciente, intolenrante que nunca volta atrás! Ainda que estejas noutra dimensão inacessível e sem retorno, quero que saibas que guardo em mim e para sempre a gratidão pelo dia que em que nos cruzámos e inicíamos uma amizade tão pura e tão livre. E em suspenso, tento com toda a minha força lembrar o último abraço, o último olhar. Lembro o teu sorriso, a tua voz paciente e o teu riso ainda consigo ouvi-lo ao fundo de mim. Lembrarei sempre a coragem que me ensinaste a ter, a olhar sempre o horizonte. Como eu gostava de poder ter-te dito tanta coisa! Como eu gostava de voltar atrás e por uma vez não ter adiado e ter tido tempo... Tenho as memórias e a esperança ...
Hoje soube que sempre estiveste comigo.  Consegui sentir-te em todos os meus silêncios. O vento soprou ao meu ouvido como o som da tua voz, e consegui ver o teu olhar parar sobre mim. Senti a tua mão pousar no meu ombro quando engoli o grito que queria chamar-te. Senti-te na resiliência dos meus dias passados. Mas, não chega! Nunca chega! A insatisfeita saudade continua ingratamente a latejar, apertando-me lentamente. E lentamente, respiro fundo. E lentamente estarei mais perto. Rosa do vale do rio